Roubei dela, que havia roubado do Léo Jaime. Não importa se é um roubo em série porque é bom, é verdadeiro!
Poema em Linha Reta
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
- Álvaro de Campos -
(Heterônimo de Fernando Pessoa)
Nossa como estou cansada! Ontem foi extenuante física e emocionalmente.
A noite passada sonehi que estava com o Franz. Não sei se era uma casa grande ou um sítio mas nós fazíamos bolinhos de lama e morríamos de rir. Ele estava com o chapéu de legião estrangeira que tem usado na sua temporada brasileira. Ah...foi uma delícia de sonho!

O Dri morreu como viveu: discretamente! Se foi calmamente, sem dar trabalho, sem grandes tumultos! Ele odiava bagunça; gente barulhenta; confusão! Foi-se sem que os pais tivessem que tomar a dura decisão de desligar os aparelhos. Eles apenas deixaram que o Dri decidisse a hora que quisesse partir, mesmo que isso demorasse. Mas não demorou!
Vou sentir saudades! Muitas saudades!
Fui a Sampa. ao hospital ver meus amigos Paulo e Eneida e o filho deles. Infelizmente o quadro parece mesmo irreversível e no momento em que eu estava saindo ouvi que eles vão aceitar a recomendação dos médicos de pouco a pouco ir retirando a medicação e desligando os aparelhos para ver se o corpo responde. Mas todos os médicos são categóricos em dizer que não há volta.
Só que como só Deus sabe quando é a hora da gente ir pode ser que desliguem tudo e ele continue vivo por alguns dias, horas, anos, vai saber...
Esse casal é meu amigo há mais de 20 anos. Temos muitas histórias vívidas junto. Passamos férias maravilhosas juntos. Dividimos muita ceia de natal e reveillon. Eles assistiram o nascimento dos meus filhos e eu vi os deles crescerem e a filha deles casar e depois ter um filhinho.
Quando a filha deles era adolescente foi fazer intercambio na Inglaterra e ficou uma semana na minha casa em Paris. Ela era terrível! Queria ir pra balada, sair com um grupo de músicos que havia conhecido no avião. Eric e eu ficamos de cabelo em pé porque ela era menor e estava sem os pais. Hoje a gente morre de rir quando lembra.
O filho deles sempre foi um cara quieto, reservado, na dele. Ele adorava o Eric! Quando o Eric morreu pre ele foi como perder um irmão mais velho! O mais gozado é que o Eric enchia o saco dele. Tirava sarro, irritava. Mas a adoração era mútua.
Quando morávamos na França eles iam sempre passar as férias de julho conosco e fazíamos viagens incríveis. Ríamos muito! Quando vinhamos passar férias no Brasil sempre ficavamos uns dias com eles na praia ou na chacara. Sempre estávamos juntos!
Na noite que o Eric morreu eles foram as primeiras pessoas que chegaram de Sp. Na verdade eles chegaram no velório antes de mim porque o corpo já havia saído e eu tinha tido que ficar procurando documentos. Eles me ajudaram com papéis, com telefonemas. Ficaram ao meu lado!
Depois, nesses últimos 8 anos, nossas vidas deram uma afastadinha. Eles estavam com neto, projetos de vida diferentes dos meus, mas ainda assim passamos o reveillon do ano passado juntos.
Infelizmente eles não conseguiram me achar nesses dias. Eles até pediram pra amigos nossos me localizarem mas eu estava dando aulas e meu celular não sei como não pegou recado. O telefone aqui de casa andou ruim...tudo assim...
Obrigada a todos pelas orações. Vamos continuar rezando pra que o melhor aconteça e pra que eles tenham força e paz!
Ontem, diante de um baita problema na minha vida familiar sabe o que eu fiz? Tomei uma overdose de chocolate! Tem cabimento? Se chocolate deixasse embriagada eu teria tomado o maior porre da minha vida.
Ta ai: chocolate é droga lícita! A gente come, ninguém percebe, a gente não dá baixaria só que depois fica obesa! E o mundo desce a lenha na gente porque não é magra! Droga de sociedade cruel!
Sabe quando a gente é adolescente e pensa (e muitas vezes faz) todos os absurdos pra emagrecer? De tomar remédio desconhecido e sem prescrição a vomitar o almoço? Ir a médico sem escrupulo e tomar anfetamina? Ficar na academia e malhar até o corpo entrar em curto-circuito e vc não conseguir dar mais um passo? Eu estou com esses desejos absurdos!
Não quero mais saúde, não quero mais emagrecer vagarosamente. Quero comprar roupas!
E, Tuca, não me venha com suas caminhadas milagrosas e seus 42 kg a menos pra me deixar ainda mais abatida e me sentir ainda mais loser!
Se eu tivesse grana eu procuraria hoje mesmo um médico maluco que me fizesse a cirurgia do estomago. Sei que médico algum me faria isso porque meu IMC não é nem 30 e eles só fazem pra quem tem acima de 40. Mas estou tão cheia de fazer regime, de caminhadas, academias, de comer produtos diet. Eu amo salada e legumes. Podia viver a vida toda com grelhados e saladas, brocolis e beringela. Mas quando eu amo sorvete, chocolate, bolo, bolachas doces, figo em calda, goiaba em calda, pudim de leite condensado.
Quando a minha vida está como agora, e eu sinto que não tem mais solução, e eu choro até meus olhos ficarem com bolhas de tão queimados, a única coisa boa é sentir algo doce na boca.
Antes tinha o cigarro que ajudava a segurar as pontas, mas depois que eu vi o pai do Fábio morrer daquele jeito, sinceramente, não dá coragem de voltar a fumar.
Se pelo menos eu deixando de comprar doce pudesse pagar terapia...mas terapia custa os olhos da cara! A gente paga o terapeuta e deixa de comer, de pagar escola, o conserto do carro.
Eu antes ia nessas lojas tipo Riachuelo, Renner, C&A e achava jeans tamanho 46, 48 que me entravam. Agora não sei se eu fiquei obesa ou se eles diminuiram o tamanho das calças. Só serve 50 ! Mas se eu vou na Levis eu entro dentro da mesma calça tamanho 46 que uso há anos! Só que uma calça da Levis que me caia bem (501 ou 505) está por quase 200 reais!!! Um jeans! Eu só uso jeans! Um só não dá nem pra começar a semana!
E o meu tipo físico não ajuda porque eu tenho bunda! Tenho coxas largas e cintura muito mais fina então não é todo tipo de calça, nem de saia que me vai bem! Outros tecidos eu não suporto! Eu transpiro, eles colam, ou então não consigo me mexer, me sentir à vontade! Saia´, vestido é o mesmo problema: sintético eu odeio de algodão fico parecendo um balão!
Não faço questão de não ter celulite, não ligo mais pra flácidez. Se tiver que vestir maio inteiro pro resto da vida eu não ligo. Se não tirar a roupa nunca mais na frente de ninguém tanto faz. Eu só quero poder comprar roupa e me sentir legal dentro delas. Bonita! Charmosa!
O post ficou imenso mas...dane-se!
Essa é velha, eu sei. O meu problema é que eu quero uma vida de comercial de margarina! Quero todo mundo em volta da mesa feliz e brincando. Quero os enfeites de natal das revistas americanas; o peru na mesa; a árvore de Natal mais alta e mais linda. O problema é que eu acredito nas pessoas e nas coisas. Eu acredito que o amor sempre vence; que existe bondade verdadeira; eu acredito que possa haver salvação pro mundo egoista.
Perdi a conta de quantas vezes fui traída, enganada, mal falada, feita de idiota por pessoas em quem confiei e dei meu coração. Pessoas que me diziam que meu coração não me enganava. E eu ouvia meu coração e entregava minha alma para depois vê-la dilacerada, violentada.
O problema é que eu não cresci. Envelheci sem amadurecer! Acredito nos comerciais de margarina; de peru de natal. Acredito nos ursinhos da coca-cola e no papai noel. O problema é que eu nunca vejo a vida depois que o diretor grita "Corta"! O problema sou eu e não os outros!
Queria uma fórmula mágica, um remédio, uma oração, qualquer coisa que me trouxesse a esperança de volta. Sempre achei que viver sem amor fosse a pior coisa do mundo mas hoje descobri que viver sem esperança é terrível.
Estou no meu limite com a convivência com minha mãe! Ela não tem culpa, eu não tenho culpa, mas não estou mais aguentando viver dessa forma. É horrível, quase inimaginável a gente sentir raiva da própria mãe e junto com esse sentimento me vem o de culpa. Me acho horrível, me acho egoísta, uma verdadeira monstra! Estou no ponto de não conseguir olhar pra ela. Tenho vontade de passar o dia na rua pra não ter que ouvir os suspiros, os gemidos, o bater do chinelo. E esse sentimento de irritabilidade em relação a ela me faz me sentir tão culpada!!!!
Choro se alguém me faz um elogio! Choro se alguém briga comigo! Choro vendo seriados de tv! Sinto-me sufocando como se uma mão gigante estivesse apertando meu pescoço.
Como pra fugir dessa realidade. Como pra adoçar essa realidade e ai me culpo porque engordo e não caibo nas minhas roupas.
Temo pelo natal que se aproxima. Onde vamos passá-lo? Junto dela? Queremos passar só nós 3 na chacara mas já sei que ela não vai querer ir pra casa do meu irmão. Todo ano o natal é a pior época depois que o Eric morreu. Nunca mais conseguimos passar essa data da forma que gostamos: entre nós, entre amigos!
Patrick foi muito mal na fuvest e meu coração doeu até por isso. Sim, eu queria o orgulho besta do meu filho passar em todos os vestibulares que prestasse e que pudesse escolher onde quer estudar. Eu queria o orgulho idiota de ver o nome do meu filho numa lista da Usp e receber os cumprimentos por isso como se a glória fosse minha. E não é me realizar nele porque eu mesma estive por duas vezes e lista da Usp.
Ontem eu já estava deitada e ele veio deitar na minha cama dizendo que precisava de carinho. Ficamos abraçados e de repente ele me pediu desculpas por ter ido mal na prova. Na hora feito um relampago me passou na cabeça dizer que eu avisei a ele, eu pedi a ele tantas e tantas vezes que estudasse mais, que lutasse mais. Mas claro que eu o cobri de beijos e disse que não tem importancia porque na verdade não tem. Na verdade nada importa a não ser que ele seja feliz! Nada importa a não ser esse amor que temos uns pelos outros e que nos mantem vivos.
Eu preciso de esperança! Eu preciso de algo que me traga de volta a esperança e que um dia eu vou me sentir feliz de novo.
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