Não vou ser injusta e dizer que 2004 foi uma completa droga! Não foi!
Apesar da doença da minha mãe; da briga com meu irmão; de tristezas e dificuldades também tive grandes momentos em 2004.
Conheci pessoas fabulosas através dos blogs (não vou citar todo mundo porque sempre acabo esquecendo alguém) e consegui manter laços com outras que havia conhecido em 2003.
Vi meus filhos desabrocharem em quase-adultos formidáveis!
Trabalhei no que gosto, com pessoas que gosto e consegui receber uma remuneração mais justa (ainda que sempre haja espaço para melhoras nesse setor).
Passei férias em Janeiro em Bertioga e estava uma delícia!
Li bastante e pude partilhar minhas opiniões sobre os livros com pessoas inteligentes através do Orkut e do Multiply.
Aprendi a fazer decoupage e trabalhar com massa acrilica e isso me proporcionou um prazer enorme além de ter aprendido algo que, se necessário, pode me trazer uma graninha extra.
Conheci a Dra Liliane que tem me ajudado muito a entender meus problemas hormonais em função da disfunção tireoidiana.
Larguei de fumar o que foi uma baita vitória pra quem fumou durante mais de 30 anos.
Pra 2005 eu quero manter e melhorar tudo isso e também quero definitivamente emagrecer 20 kg. Não deixo por menos. Tem que ser 20!
Quero voltar a me exercitar e sentir-me bem com meu corpo!
Quero passar os 365 dias de 2005 nesse estado de paz e tranquilidade em que estou nessa última semana de 2004.
Por fim quero saúde e felicidade aos meus filhos, minha mãe, Jack e todos todos todos os meus amigos queridos, virtuais-reais mais que reais.
Amem!
A gente explica, conta a alguém o que está passando e essa pessoa se recusa a entender. Por comodismo, por egoísmo, não importa a razão a pessoa está fechada, bloqueada pra entender o que você está sentindo passando por aquela experiência. Até que um dia, pela mão do destino, a pessoa passa exatamente pela mesma coisa!
Pimenta no olho do outro é colírio!
Não tenho vergonha de dizer que esperei anos por esse momento.
Desde que meu marido morreu, e mesmo antes, minha mãe passou os reveillons comigo. O natal nem sempre porque muitas vezes ela escolheu passar com meu irmão. Mas ele no reveillon sempre deu um jeito de cair fora. Sempre viajou com a família e nunca a convidou!
Em 2001 eu aluguei uma casinha em Ubatuba pra passar o reveillon com minha mãe, as crianças e uma amiga. A casinha era simplérrima e minha mãe reclamou da hora que pos os pés nela até irmos embora, o que aconteceu no dia 31 antes da meia-noite porque ela infernizou tanto, reclamou tanto, adoeceu tanto que eu joguei a toalha e vim pra Sorocaba com dois adolescentes emburrados, uma amiga chateada e minha mãe radiante porque havia conseguido o que queria.
Tivemos uma briga monstra nesse dia e ela me chamou de tudo! De fracassada porque eu só conseguia alugar um barraco; de incompetente porque eu havia acabado de perder meu emprego e assim por diante. Diga-se de passagem que eu não engoli a seco tudo isso e respondi a altura. Enfim...foi um inferno e um super barraco meu reveillon de 2001/2002.
Sempre, sempre no dia 31 minha mãe tem algum peripaque. Se estamos na chacara com amigos ela sempre quer ir dormir antes da meia-noite; sempre reclama do cardápio ou da companhia.
Esse ano ela resolveu ir pra casa do meu irmão no dia 20. Depois de passado o natal dia 27 ela resolveu voltar (eu nunca vou saber se ele quis que ela viesse ou se ela quis vir), só que chegando aqui deu 5 minutos nela e ela começou a reclamar que o apartamento é muito apertado, que ela se sentia sufocada, que ela queria morrer. Sei que ela chegou aqui ao meio-dia e as 4 da tarde já estava telefonando pro meu irmão voltar de SP para buscá-la.
Ele não tinha como dizer não e veio e levou-a. Esse foi o primeiro grande episódio onde me senti vitoriosa porque até então todas as vezes que ela me fez ir e voltar de algum lugar porque não estava do agrado dela sempre que eu reclamei fui considerada a maluca. A louca que reclama sem razão.
Nesse dia meu irmão fez Sp-Sorocaba-Sp-Sorocaba-Sp! 400 km num dia por causa dos xiliques da mãe!
Hoje eu liguei pra ela (na casa dele) e como ele tem transferencia de chamada no telefone de casa minha tendeu e me disse que eles estão no Guarujá. Perguntei se numa casa ou num apê e eles estão num apê. E logo em seguida ela desfiou um rosário de reclamações.
Esperei sim anos por esse momento porque desde que o Eric morreu mamãe passou a ser minha responsabilidade, mesmo quando ela era completamente independente fisicamente e o único trabalho que dava era o gênio difícil.
Sei que é pequeno da minha parte. Mesquinho até. Mas hoje o doce sabor da vitória estou sentindo.
Minha mãe, como boa virginiana, sempre foi obcecada por casa arrumada. Ter a cama arrumada pela manhã sempre foi uma obrigação estivesse eu com vontade ou não de fazê-lo. Mesmo depois de adulta, casada, se ela chegasse e visse minha cama desarrumada perguntava" Você não vai arrumar?". E se a resposta fosse negativa era só esperar um pouco pra vê-la arrumando a cama (e lógico que depois criticando muito a bagunça da minha casa). Pra evitar esses confrontos eu acabei ficando uma neurótica de cama arrumada e pia sempre sempre sempre, sob quaisquer circunstâncias sem nada por lavar.
Meu marido ficava fulo comigo quando aos domingos ele saia da cama pra ver alguma coisa na sala e quando voltava e ia dar mais uma deitadinha eu já havia esticado tudo. Ou quando recebiamos amigos pra jantar e eu não ia pra cama enquanto tivesse um copo sujo dentro da pia, um cinzeiro absolutamente limpo, mesmo se eu estivesse caindo de sono.
Essa semana mamãe está em SP, Marie na praia e só estamos Patrick, Jack e eu em casa. Pela primeira vez na minha vida adulta estou sentindo o prazer de só fazer o que tenho vontade, na hora que tenho vontade.
Fiquei 3 dias sem arrumar a cama (ou melhor, eu arrumo na hora que eu vou deitar porque eu gosto de lençol esticadinho e travesseiro fofo). Deixei copos pernoitarem na pia. Não cheguei perto do fogão desde segunda-feira. Peço comida por telefone ou vamos comer fora. Só arrumo o que me dá vontade e acreditem, a casa está arrumadissima! Não olho o quarto do Patrick.
Se ele quiser arrumar arrume se não que fique. Contanto que esteja limpo por mim tudo bem.
Não saberia viver assim o resto da minha vida mas esses dias foram fundamentais pra eu descansar e perceber que a única importancia da cama arrumada e dos copos lavados é o quanto a gente se sente bem com isso. Se não fizer e sentir-se bem então está tudo certo.
Pode parecer obvio para muitos mas...eu cresci praticamente dentro de um quartel e nunca entendi quem vivia de outro modo (minha sogra por exemplo).

Vi essa foto no Globo Online e me chamou a atenção não por causa do tsnunami (um horror) mas de repente me lemrebi que quando eu era criança as placas de proibido estacionar no Brasil eram iguais a essa. Na verdade a placa queria dizer proibido parar mas valia pra estacionar. Não sei quando elas foram mudadas para o E atual.
Ultimamente eu ando pensando muito em coisa do passado. Ando lembrando de coisas que acho que estavam em algum arquivo bem escondidinho da minha memória. Não coisas importantes mas coisas que vi, que vivi. Sinto-me centenária quando falo assim mas olhando pra minha vida parece que foram tantas vidas numa só! Vi tantos lugares, conheci tanta gente, assisti tantos acontecimentos.
Tem fatos que eu me lembro dele em si, sem noção de ano ou data: a morte de JK; a bomba no Rio Centro, por exemplo.
Outros eu me lembro do que estava fazendo, o que estava vestindo, o que eu senti: a queda do avião da Varig em Paris, a invasão da Puc, a queda do muro de Berlim eu sei o dia, o ano e se bobear me lembro da hora que soube da notícia.
Não tenho boa memória. Não procuro guardar nada que não tenha uma utilidade específica. Mas alguns fatos ficaram gravados. Indeléveis.
Sempre recebo a história que conta que um cara caiu num bueiro aberto numa rua e não conseguia sair. Passou um médico e ele gritou “Doutor, por favor, me ajude” e o médico escreveu uma receita. Jogou no buraco e foi embora. Nisso passou um padre e o cara de novo gritou “Padre, por favor, me ajude” o padre fez uma oração e foi embora. Ai passou um amigo e ele pediu ajuda ao amigo e esse pulou no bueiro. Ai o primeiro cara falou “Ah, mas que idéia a sua, agora somos dois presos aqui dentro”. E o amigo respondeu “Não! Eu já caí aqui e sei a saída, vem comigo”.
As pessoas que me enviam essa história o fazem sempre mostrando como é importante ter amigos, mas hoje, aqui, o que eu quero dizer é que é surpreendente como o cara que caiu primeiro não duvidou que o amigo conhecesse a saída.
Parece que existe um preconceito nos seres humanos em acreditar que a experiência do outro pode servir pra alguma coisa.
Não são só os filhos que nunca acreditam quando a gente fala que já passou por essa ou aquela experiência e que a atitude que eles estão tomando não vai levar a lugar algum.
As pessoas, de um modo geral, tem sempre essa atitude de “comigo vai ser diferente”.
Pode até ser que seja, mas, não custa muito avaliar a opinião alheia pra ver quais as probabilidades do resultado ser o mesmo.
Quando a “caca” está feita eles nos olham com um misto de respeito e vergonha. E nós, muitas vezes, mordemos a língua pra não dizermos “eu sabia”.
Não sou exceção a regra! Se tivesse prestado mais atenção em tantos conselhos úteis, em tantas opiniões sinceras de pessoas que realmente me amam teria com certeza sofrido menos. Passado por menos dissabores.
Talvez um dia nós humanos possamos evoluir o suficiente para aceitarmos que não somos deuses e não detemos o conhecimento total.
Não não estou falando do bombom! A segunda-feira 27/12/04 vai ficar registrada na minha memória como um dia absolutamente surreal. Em dias assim eu tenho a impressão que entrei num filme de Fellini.
Decididamente foi um dia Felliano. Nem vou contar porque senão vai virar filme! rs
Ontem assisti dois filmes: "Sobre meninos e lobos", que achei muito triste e ponto. Um filme que não diz a que veio, que não tem mensagem e "Amor a toda prova" que é absurdo mas muito engraçado. Não é comédia pastelão e humor no impensável! Seria uma Amelie Poulin americana e claro, muito menos sofisticada. As cenas com Julie Andrews são simplesmente hilárias! Gostei muito do filme. Só que não é um filmaço. É boa diversão pra uma madrugada insone.
P.S.: O clone voltou! Peço a Deus paciência, compaixão, piedade!
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