Entre uma demão e outra de tinta numa peça de vidro que estou tentando colar decoupage eu venho aqui jogar paciência e ouvir as minhas músicas preferidas. Entre elas um bom e velho bolerão de Armando Manzanero mas que eu curto mesmo é na voz do Luis Miguel: Contigo Aprendi.
Contigo aprendí
Que existen nuevas y mejores emociones
Contigo aprendí
A conocer un mundo lleno de ilusiones
Aprendí
Que la semana tiene más de siete días
A hacer mayores mis contadas alegrías
Y a ser dichoso yo contigo lo aprendí
Contigo aprendí
A ver la luz del otro lado de la luna
Contigo aprendí
Que tu presencia no la cambio por ninguna
Aprendí
Que puede un beso ser más grande
Y más profundo
Que puedo irme mañana mismo de este mundo
Las cosas buenas ya contigo las viví
Y contigo aprendí
Que yo nací el día en que te conocí
O sábio recluso, com quem converso de vez em quando, anotou todos os dados divulgados sobre o esquema Daslu, e chegou a conclusões relevantes para avaliar a dimensão do crime fiscal: 1) Se um vestido de US$ 1.000 na origem entra no Brasil com documentos de importação de US$ 100, o pagamento pelo dólar comercial só pode ser desses US$ 100 correspondentes à fatura comercial que acompanha a mercadoria. Os outros US$ 900 que precisam ser pagos ao fabricante na origem têm que ser remetidos pelo paralelo. 2) Para fazer a remessa pelo paralelo, é preciso ter reais em caixa dois que correspondam a dez vezes o valor das importações. Havia, então, uma mega-sonegação para gerar esses reais. Segundo indícios prováveis, a Daslu registra vendas de R$ 120 milhões a R$ 130 milhões por ano. Várias noticias da mídia econômica falam em vendas efetivas em torno de R$ 400 milhões. 3) Se for verdadeiro, o maior prejudicado pelo esquema Daslu não é a União, mas o Tesouro paulista. Um vestido que entra no país por US$ 100, quando na realidade custou US$ 1.000 na fábrica, será vendido a um preço de butique de US$ 1.600. Ora, se a tributação no desembaraço (Imposto de Importação + IPI +ICMS) incide sobre US$ 100, significa que a Daslu vai ter um crédito de ICMS só sobre esses US$ 100, uma vez que a importadora laranja repassa pelo preço pelo qual recebeu. Então haveria um ICMS gigantesco sobre a diferença (18% sobre US$ 1.500). Para o esquema se manter em pé, haveria a necessidade de uma mega-sonegação de ICMS. A Secretaria da Fazenda trabalha em cima de cruzamento de dados e alterações estatísticas. Para não deixar marcas, o esquema deve ter sido desenvolvido por anos e anos. 4) Registre-se outro lado inexplicável do esquema Daslu. A Alfândega é uma das instituições mais antigas do Brasil. Tem a mesma idade do Brasil enquanto nação. Seus técnicos sabem perfeitamente o valor das mercadorias importadas. Possuem catálogos e listas de preços de tudo o que é importado. Pode até, por acaso, fazer-se uma vez ou algumas vezes, mas não por anos a fio, como um canal livre de importação. 5) Se ainda existisse a Cacex -abolida pelo governo Collor-, um caso Daslu não poderia ter existido, diz ele. A Cacex operava por setores de produtos e com especialistas que conheciam mais do que os próprios empresários. Para licenciar uma importação, era preciso juntar a lista de preços oficial do fabricante e os catálogos completos. Além disso, ela tinha seus próprios meios de verificação. Era uma máquina eficiente e íntegra de defesa dos interesses do país. O governo Collor aboliu a Cacex porque já estava em tratativas para assinar um megacontrato de verificação de importações com a suíça SGS (Societè Generalle de Surveillance), empresa verificadora que checa a importação e a exportação em vários países da África, inclusive da Nigéria. A empresa só atuava em países sem estrutura própria. O fechamento da Cacex não foi acompanhado pelo devido aparelhamento da Alfândega.
Pitaco meu : A Daslu não vai fechar! A Eliana Tranchesi não vai pra cadeia! O que mais me deixa perplexa é que essa conta deve ter sido feita por muita gente e a filha do governador Alckmin foi promovida de Dasluzete a gerente de qualquer coisa. Será que nenhum assessor do governador fez essa conta? Isso me deixa muito muito triste porque eu sempre confiei nele. Sempre o achei um cara do bem. Talvez ele o seja. Talvez seja como o Lula: um bem intencionado nas costas de quem os malandros corruptos fazem a festa! Senhor! Onde vamos parar?
A coisa ta feia por aqui! Muito frio e as mãos não aguentam de tão geladas de pra ficar postando então... boa noite embaixo das cobertas quentinhas e não se esqueçam daqueles que não as tem e façam doações as campanhas do agasalho de suas cidades.
Eu sonho com o dia em que todo mundo vai ter um teto, uma mesa e muitos amigos em volta dela pra terem o corpo e a alma aquecidos como eu tenho a felicidade de ter!
O frio me faz pensar e ai reside um dos problemas. Fico pensando em coisas que não tem jeito; penso em soluções miraculosas para problemas difíceis mesmo sabendo que nenhuma delas vai funcionar; penso no que faria se estivesse quente; se estou na rua penso na minha cama e quando estou na cama sofro em pensar que tenho que sair dela.
E, mais que tudo, estou sempre pensando numa maneira de me sentir completamente aquecida porque quando a parte de cima está quente a de baixo está sentindo frio e vice-versa. Agora mesmo estou com frio... na cintura!
Minha mãe é ansiosa! Não! Isso seria injusto para com os ansiosos de uma forma geral. Minha mãe é a mãe, o pai e todos os irmãos da ansiedade numa pessoa só! Todo mundo é mais ou menos ansioso mas os muito ansiosos não percebem que eles prejudicam a saúde deles e de quem está do lado também porque é praticamente impossível a convivência.
Eu faço meus artesanatos na mesa da cozinha. Não tenho outro lugar pra fazer então eu monto meu cirquinho lá: primeiro eu protejo a mesa com uma madeira que tem uma forração pra proteger o tampo de um lado e do outro é fórmica. Depois eu tiro todas as minhas tralhas do armário da lavanderia, arrumo os pincéis, os recortes, as tintas, as tesouras. Pego o avental e cubro a minha roupa e daí eu começo a trabalhar. E vou horas a fio. Quando termino também tem toda uma logística.
A máquina de lavar louças fica na lavanderia. Não me perguntem porque! Bom. Na hora que ela vê que eu estou começando a juntar as minhas tralhas é a hora que ela resolve que vai tirar a louça da máquina. Peço pra ela esperar e vou lavar os pincéis no tanque. Depois eu pego um pano limpo e os seco e vou guardá-los na caixa apropriada. Depois é a vez dos recortes, das revistas, das tesouras. Por últimos as tintas vão dentro de um sacão (claro que bem fechadas) e os trabalhos que precisam de um tempo pra secar vão pra uma prateleira. Antes que eu acabe de guardar as coisas ela começa a tirar as coisas da máquina. Meu apartamento é pequeno. O transito dela e meu entre a lavanderia e a cozinha vai certamente fazer com que a gente dê um encontrão e ou algo vai se quebrar ou algo vai estragar. Ai eu surto! Surto porque eu pedi pra ela esperar e não é esperar meia hora. Em cinco minutos tudo está ajeitado e ela pode tirar a louça da máquina ou pode pedir pra que eu tire ou pode ir tomar caju! Caspite!
Por último eu tiro a madeira de cima do tampo, guardo atrás da máquina de lavar roupas e limpo a mesa que pode ter ficado com algum papel. Mas ela me deixa tão irritada que me dá vontade de deixar a mesa suja, as coisas espalhadas! Mas, como diz a propaganda da Brastemp, ai não seria eu! E se ela tivesse paciência não seria ela! Então a gente respira fundo e agradece a Deus poder hoje estar aqui reclamando dela na ativa (e como!) quando há um ano eu chorava desesperadamente em vê-la numa cadeira de rodas sem vontade de viver.
Minha mãe é ansiosa! E eu também! E é melhor a gente rir de tudo isso! Bom domingo a todos!
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