Bem estive com a mamãe ontem a noite e hoje pela manhã nos horários de visita do CTI. Ela está muito bem! Sem dor, bem assistida. A única coisa que a incomoda é ficar conectada a todos aqueles fios mas pelo menos ela não está entubada. O humor dela está ótimo e a cada visita nós duas falamos tanta besteira e damos tanta risada que temos medo de levar uma bronca das enfermeiras e médicos. Graças a Deus ela está bem.
Hoje o médico disse que precisamos esperar mais 24 hs pra ver se ela realmente estabilizou e dai ela vai pro quarto. E esperamos também que ela possa fazer o cateterismo porque sem ela não vai ser possível.
Vou responder os comentários por aqui porque não dá tempo de mandar email:
Marina e Elza - Muito obrigada de coração pelo apoio e orações.
Léa - Não sei o que acontece mas tento mandar emails pra vc e eles voltam com mensagem de endereço errado. Olha Léa eu imagino o quanto deva ser dificil não ter a quem xingar...rs E principalmente não ter seus pais com vc. Mas vc faz uma coisa maravilhosa que é cuidar de alguém. Tenho esperanças que um dia meu irmão entenda que quem perde é ele. Perde minutos preciosos com ela. Muito orbigada pelo seu carinho e força!
Cé, Solange, Zulma e Mi - Vocês são tão queridas! nem tenho palavras!
Todas(os) - Vocês não imaginam o calor bom que sinto no coração por receber esse apoio, carinho, atenção. Saber que em algum lugar a gente tem alguém que divide conosco nossas alegrias e nossas tristezas faz a gente se sentir amparado mesmo que seja virtualmente. Não me sinto só! Sinto que Deus me deu amigos que são anjos que me acompanham. Amo vocês do fundo do coração!
Mamãe está na CTI desde hoje cedo. Depois de mais uma noite horrível com ela com dor no peito, no braço, no queixo; depois de uns 5 eletros; de enfermeiros com muita má-vontade; médicos com mais má-vontade ainda e um irmão que me promete vir ficar com ela pra eu poder dormir e não aparece, hoje cedo a médica convenceu-se do que eu já sabia: era melhor a mamãe ficar na CTI porque o quadro dela está se agravando.
Ela está com entupimento numa das artérias do coração. Na verdade hoje eu soube que não foi (ainda) um infarto mas uma angina e que pode dar um infarto logo logo se ela não for submetida a um cateterismo. E esse procedimento na idade dela e com o quadro como está é muito arriscado. Então eles vão esperar pra ver se ela estabiliza tanto na dor quanto na alta da pressão arterial que parece um ioio: uma hora está lá embaixo e outra lá em cima.
Até ela que odeia a CTI ficou feliz de ir pra lá de tanta dor que a coitadinha passou. E eu fico tranquila porque sei que lá ela é bem assistida.
Passei por muito nervoso entre ontem e hoje. Com a enfermeira-chefe do turno dessa manhã que além de grossa é mentirosa e distorcia pro médico o que eu havia dito e depois ainda bateu boca comigo. Com meu irmão que era pra ter ido ontem pro hospital enquanto eu estava dando aula. Escrevi o post abaixo da escola. Saí de lá e fui fazer umas compras pra casa e voltei tranquila porque era pra ele estar lá. Quando cheguei em casa ele liga dizendo que ainda estava em SP e que estava ligando pro quarto e ninguém atendia. A mamãe havia ficado com meu celular e ele disse que ela tb não atendia. Mandei-o ligar pra enfermagem e dali um pouco ele me liga histérico que a mamãe havia passado mal mas já tinha sido medicada mas que estava no quarto com uma senhora com Alzheimer que estava gritando e que a mamãe estava muito nervosa e era pra eu correr pra lá e colocá-la num quarto particular que ele já ia.
Fui pro hospital sem nem trocar de roupa. Nem encostei no meu jantar. Chego lá e a mamãe está super bem. Falo que vou mudá-la de quarto e ela pede que eu espere acabar a novela (pode?????). Bom, acabou a novela e começou a minha novela. Não sei porque o hospital coloca mil dificuldades pra transferir uma pessoa de quarto sendo que eu estava assumindo os custos. Ai a moça da recepção fala que tem que pagar o médico a parte. Como assim? O médico é o mesmo só muda o quarto. Ah mas são as normas. Como meu irmão é quem vai pagar eu ligo pra ele e conto. Ele pede pra falar com a recepcionista e acaba discutindo com ela e gritando com a coitada da moça que está lá cumprindo ordens. Ele acha lindo berrar com a moça por telefone mas quem estava ali na frente dela era eu. Desliguei, pedi desculpas a ela e dai o Patrick ligou. Quando ouvi a voz do meu filho eu cai no choro. Ai a saudade dele, mas o medo de perder minha mãe, mais o estresse de noites mal dormidas, tudo caiu em cima de mim. A coitada da recepcionista ficou até consternada de me ver chorando feito um bebe.
Depois de tudo acertado eu mudo a mamãe de quarto e olho no relógio: 23:30. Ligo pro meu irmão e pergunto se ele não vem e ele responde que já está tarde e ele está cansado mas se eu fizer muita questão...
Eu não o mandei a merda porque estava ao lado da minha mãe. No fim eu passei minha segunda noite com ela no hospital e foi um circo a noite toda. De quatro em quatro horas ela tinha episódios de dor intensa e os enfermeiros e médicos se arrastavam pelos corredores. Eu tinha vontade de meter a mão na cara deles.
As 7 e meia da manhã a cardiologista resolveu mudá-la pra CTI o que só aconteceu as 9. As 7 eu já havia ligado pro meu irmão pedindo pra que ele viesse logo porque além de cansada eu não aguentava mais discutir com todo mundo. Pois acreditem ele chegou as 11 pra visita do CTI. Ficou os 20 minutos regulamentares, conversou com o médico cardiologista do CTI, me ligou, passou as informações e foi embora.
Deculpem eu desabafar aqui mas é o único veiculo que eu tenho pra verter a minha indignação! Não adianta eu falar com ele, não adianta eu brigar com ele mais do que já brigo. O cara é um monstro de egoismo e só ele e a vida dele é que importam. Também não posso (lógico) falar nada disso pra minha mãe e minha familia próxima se resume a ele ou meus tios velhinhos. Sobrou pra vcs. Obrigada por me aguentarem e por favor rezem por ela. Não peço pra rezarem pela vida dela mas apenas pra que ela seja poupada de sofrimento.
Ontem minha mãe ia pra SP com meu irmão pra fazer o exame do holter hj pela manhã. Ao entrar no carro dele pra pegar a estrada ela sentiu-se mal e foram pro pronto-socorro. Exames daqui, exames dali e não teve jeito, era um pequeno infarto mesmo. Não sei como um infarto pode ser grande ou pequeno mas enfim...ela está internada.
Dormi com ela lá de ontem pra hj e foi tudo bem. Ela estava ótima e queria porque queria ir embora pra casa. A enfermeira chefe disse que só se eu me responsabilizasse por ela. Eu não queria essa nas minhas costas mas ela choramingou tanto, pediu tanto que eu cedi. Assinei mas antes de sair do hospital com ela liguei pro meu irmão que já estava em SP (claro que ele ia me deixar na mão!) e ele surtou! Gritou com ela, gritou comigo, gritou de novo com ela e no fim a fez prometer que ela ficaria no hospital. Ficamos!
Hoje cedo passou uma cardiologista, deu uma olhadinha, não auscultou nem nada e disse que ela tem que ficar internada para exames. Liguei pra cardio que cuida da mamãe. Está viajando mas atendeu o celular só que mandou seguir as instruções da médica do hospital.
Hoje o dia inteiro ninguém além das enfermeiras que vem medem a pressão arterial e vão embora apareceu. Ela super bem, rindo, brincando, comendo feito um lobo e lá, presa naquele quarto sem que a gente saiba que raios de exames vão fazer.
Nem tirar sangue hoje foram pra dizer que fizeram exames de sangue. Nada! A gente pergunta pras enfermeiras que dizem que só o médico pode dar explicações. Um saco!
Eu fui pra casa de manhã pra tomar banho, descansar, comer e voltei pra lá. Agora estou na escola e daqui eu vou pra casa. Meu irmão se quiser venha dormir com ela porque é muito fácil a gente surtar e largar tudo nas costas do outro. Se ele não vier ela vai dormir com a companheira de quarto dela que está bem e só vai ser operada amanhã e se precisar pode gritar por socorro.
Sei que parece cruel mas chega uma hora na vida que a gentre aprende que ou a gente se defende ou vai ser esmagado.
Cheguei a conclusão que existem dois tipos de gente na vida: os com sorte e os sem. Eu estou na segunda categoria e meu irmão na primeira porque ele sempre consegue se safar e eu sempre me ferro. Os compromissos dele sempre são mais importantes. O trabalho dele é mais importante! Eu e a minha vida podemos nos danar mas ele sempre sempre está muito ocupado.
Aprendi algo hoje: a dizer foda-se! Fiz tudo o que podia pela minha mãe e mais não me sinto em condições portanto se algo der errado - foda-se!
Desculpem o vocabulário chulo mas estou ligeiramente puta da vida!
Bem, e já estamos no fim do ano! Novembro é mes de aniversário da minha filhota, da minha querida Barda, da minha querida tia Alicinha, minhas também queridas primas Cristina e Celina. Meu irmão também é de novembro. Daqui 11 dias começa o bazar que eu vou participar. E daqui 51 dias começam as minhas férias.
Novembro começa com um ventinho gelado mas promessa de sol durante o dia.
Minha mãe foi ao gastro ontem que garantiu que o problema é cardiaco e ai fica a grande dúvida: quem está com a razão? O médico da emergencia da Santa Casa disse que era gastrico, o gastro diz que é cardiaco. Agora ela vai fazer o "holter" e vamos ver se dá alguma coisa. Eu espero em Deus que seja gastrico porque se for cardiaco, na idade dela, vai ser um pepino de bom tamanho. Enfim, ela está bem. Tem horas que eu faço tanta palhaçada pra ela que acho que o mal estar passa de tanta risada que ela dá. Pra vcs terem uma idéia do tamanho da minha insanidade ela ontem dizia que sentia como se tivesse uma bola de ar no peito. Um arroto entalado. Ai eu falei que ia faze-la tomar 2 litros de coca-cola sem gelo numa tacada só e gritar "mamãe". Acreditem que quando eu era criança a gente brincava assim. O tamanho do arroto que sai é inacreditável!!!
Ela chorava de rir! Depois eu batia nas costas dela como a gente faz com bebe que acabou de mamar e cantava "Nana nêne". E ela ria que só vendo.
Tenho muito medo de perdê-la. Estivemos sempre juntas. Mas peço a Deus que se ela tiver que ir que seja rápido e indolor porque ela já sofreu muito nessa vida. E apesar desse sofrimento sempre fez muita gente feliz!
Como eu ,conheço um monte de gente da geração sanduíche: pais idosos, filhos adolescentes ou jovens adultos e nós, os da meia-idade ali...deveríamos ser os do meio-idade porque somos sempre o recheio.
Temos que cuidar de uns que se julgam independentes quando não o são mais e se revoltam com a condição de “filhos dos filhos”.
Temos que lidar com aqueles que mal saíram das fraldas mas que julgam tudo saber e tudo conhecer da vida.
E não podemos perder o humor, o sorriso nos lábios e a gentileza porque senão enlouqueceremos.
Ainda assim, no meio do caos, existe riso, alegria, esperança.
Na quinta-feira eu lá na Santa Casa com minha mãe deitada numa maca na emergência e ainda assim enchendo meu saco, entra um enfermeiro e diz: “Alguém aqui conhece o Patrick?” Diante da minha afirmativa ele diz que o mesmo pediu pra eu ligar.
Saca só, eu sem celular, um fila imensa no Ùnico orelhão do hospital e meu filho em São Bernardo querendo que eu ligue.
Saí do hospital e fui pra pracinha em frente onde tem 3 orelhões. Dois normais e um pra anão (desculpem o politicamente incorreto). Claro que os dois normais não funcionavam e eu vi que eu ia ter que ligar curvada.
De repente me deu um ataque de riso em me imaginar de joelhos ligando pro Patrick que eu chorava de tanto rir.
Não consegui ligar então liguei pra casa e mandei a Marie ligar pra ele e que ele parasse de me encher.
Saí dali fui pra um bar do lado comprei uma coca-cola e tomei bem devagar, rindo muito entre cada gole cada vez que pensava no orelhão.
No fim desse dia eu estava um caco. Tudo o que podia dar errado tinha dado. Saí pra passear com o Jack umas 8 da noite e a Marie veio comigo e ai toda a minha frustração e cansaço saíram em forma de lágrimas. Chorei, chorei até que de repente a minha filha, numa sacada tipicamente feminina disse :”Mãe sabe do que vc precisa agora? De um bom sorvete!”.
E ela tinha razão! Fomos tomar sorvete e conversamos muito e no final eu estava legal de novo.
Ainda nessa noite ela começou a me falar das lembranças que tinha do pai, dos medos que tem de perder as avós, a mim, ao irmão. Falei dos meus medos. Das minhas crenças, das minhas certezas.
Ela me perguntou se eu sentia falta do pai dela e eu respondi que não teve um único dia em que eu não senti. Mas não é um sentir falta que machuca. É uma constatação de que a gente curtia muito estar junto. A gente ria muito junto. E brigava muito também.
A coisa que eu mais sinto falta é de conversar com ele. Porque a gente conversava muito. Deliberávamos juntos um monte de coisas do dia a dia.
Esses dias todos desde quinta-feira muita coisa aconteceu e eu pensei a beca só que sozinha!
Patrick não veio nesse fim de semana porque foi viajar com um amigo e eu confesso que quando ele falou que não viria me deu um aperto no peito. Aquele negócio egoísta de quere-lo sempre junto de mim.
A Marie também foi passar o fim de semana fora então ficamos mamãe, Jack e eu aqui.
Trabalhei muito nos artesanatos, li quando não estava trabalhando e recebi um email lindo da Ana com um pps que acho que até hoje foi a única coisa que realmente me fez sentir saudades da França.
Não gostei de morar lá e vendo as fotos no PPS comecei a analisar as razões. Mas analisar a sério mesmo, sem meias-desculpas. Não houve culpado nesse processo.
Havia uma mulher imatura vivendo longe da família, dos amigos.
Havia uma pessoa que achava que tinha que agradar a todo mundo e se anulava e sofria porque, claro, não conseguia.
Havia uma mulher que não sabia que devia agradar-se e amar-se e viver a vida sem dar bola pra “arquibancada” e então entrou num processo neurótico de sofrimento.
Essa mulher cresceu! Amadureceu! E hoje consegue olhar pra aquele passado sem dor, sem raiva, sem culpa.
Essa mulher hoje consegue viver os momentos de alegria e de raiva sem achar que eles são causados por esse ou aquele mas apenas são frutos do que ela planta.
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