É dezembro...logo será natal...
... e as receitas tradicionais aqui de casa você encontra lá!
É ridículo...

...eu sei, mas não consigo parar de pensar no casamento da Athina Onassis e Doda Miranda! Essa menina merece ser feliz!

Claro que todos merecemos mas apesar da fortuna ela viveu uma vida cercada de tragédias!

Escrevo isso ao mesmo tempo que penso que sou é muito besta porque tragédias todos nós temos na vida mas a grana que ela tem...rs a gente nem sonha em ter! rs

Cecília Meirelles II
A arte de ser feliz

Cecília Meireles

Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.

Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Ás vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Uma lua confortavelmente instalada em nuvens, se desnuda  na

Cecília Meirelles I
 

Natal na Ilha do Nanja

Cecília Meireles


Na Ilha do Nanja, o Natal continua a ser maravilhoso. Lá ninguém celebra o Natal como o aniversário do Menino Jesus, mas sim como o verdadeiro dia do seu nascimento. Todos os anos o Menino Jesus nasce, naquela data, como nascem no horizonte, todos os dias e todas as noites, o sol e a lua e as estrelas e os planetas. Na Ilha do Nanja, as pessoas levam o ano inteiro esperando pela chegada do Natal. Sofrem doenças, necessidades, desgostos como se andassem sob uma chuva de flores, porque o Natal chega: e, com ele, a esperança, o consolo, a certeza do Bem, da Justiça, do Amor. Na Ilha do Nanja, as pessoas acreditam nessas palavras que antigamente se denominavam "substantivos próprios" e se escreviam com letras maiúsculas. Lá, elas continuam a ser denominadas e escritas assim.
 
Na Ilha do Nanja, pelo Natal, todos vestem uma roupinha nova — mas uma roupinha barata, pois é gente pobre — apenas pelo decoro de participar de uma festa que eles acham ser a maior da humanidade. Além da roupinha nova, melhoram um pouco a janta, porque nós, humanos, quase sempre associamos à alegria da alma um certo bem-estar físico, geralmente representado por um pouco de doce e um pouco de vinho. Tudo, porém, moderadamente, pois essa gente da Ilha do Nanja é muito sóbria.
 
Durante o Natal, na Ilha do Nanja, ninguém ofende o seu vizinho — antes, todos se saúdam com grande cortesia, e uns dizem e outros respondem no mesmo tom celestial: "Boas Festas! Boas Festas!"
 
E ninguém, pede contribuições especiais, nem abonos nem presentes — mesmo porque se isso acontecesse, Jesus não nasceria. Como podia Jesus nascer num clima de tal sofreguidão? Ninguém pede nada. Mas todos dão qualquer coisa, uns mais, outros menos, porque todos se sentem felizes, e a felicidade não é pedir nem receber: a felicidade é dar. Pode-se dar uma flor, um pintinho, um caramujo, um peixe — trata-se de uma ilha, com praias e pescadores ! — uma cestinha de ovos, um queijo, um pote de mel... É como se a Ilha toda fosse um presepe. Há mesmo quem dê um carneirinho, um pombo, um verso! Foi lá que me ofereceram, certa vez, um raio de sol!
 
Na Ilha de Nanja, passa-se o ano inteiro com o coração repleto das alegrias do Natal. Essas alegrias só esmorecem um pouco pela Semana Santa, quando de repente se fica em dúvida sobre a vitória das Trevas e o fim de Deus. Mas logo rompe a Aleluia, vê-se a luz gloriosa do Céu brilhar de novo, e todos voltam para o seu trabalho a cantar, ainda com lágrimas nos olhos.
 
Na Ilha do Nanja é assim. Arvores de Natal não existem por lá. As crianças brincam com. pedrinhas, areia, formigas: não sabem que há pistolas, armas nucleares, bombas de 200 megatons. Se soubessem disso, choravam. Lá também ninguém lê histórias em quadrinhos. E tudo é muito mais maravilhoso, em sua ingenuidade. Os mortos vêm cantar com os vivos, nas grandes festas, porque Deus imortaliza, reúne, e faz deste mundo e de todos os outros uma coisa só.
 
É assim que se pensa na Ilha do Nanja, onde agora se festeja o Natal.


Texto extraído do livro “Quadrante 1”, Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1966, pág. 169.

Ubatuba

Minhas férias de infância e adolescência foram passadas em Ubatuba. Não me lembro quando começamos a ir pra lá mas deve ter sido por volta dos meus 8 anos. Antes disso a gente ia pro Guarujá mas eu nunca consegui me identificar com aquele lugar. Muita gente! Muitos prédios! Praias sempre lotadas (e eram menos lotadas naquele tempo).

A Ubatuba da minha infancia ainda era vazia, quase selvagem. Conhecíamos todos os proprietários das casas da praia da Enseada, e olha que a praia é grande. Nossa casa era perto do "Bar dos Inocentes" do "seu" João. O bar fechava sempre as 7 da noite pra que os bebados de plantão não pertubassem os moradores vizinhos.

Só tenho boas recordações de lá. É o lugar do mundo pra onde eu quero fugir quando tudo fica....digamos "feio". É o único lugar do mundo onde eu gostaria de esar agora! Mesmo com chuva e frio sempre foi o meu lugar preferido no mundo.

Eu gostava de passear com meus cachorros pela praia nos dias de chuva. Não tinha ninguém pra reclamar que eles estava na areia! rs

Hoje os cachorros vira-latas andam por ondem querem e as pessoas devem trancar seus bem-amados nas casas, claro, em nome da higiene e da saúde! Era bom quando nós não nos preocupavamos tanto com isso. Ou com coisa alguma...

Já é dezembro de novo!

Caspite eu nem guardei os enfeites de natal direito e já está na hora de tirar tudo da caixa de novo! A cada ano que passa eu fico com mais horror das festas de fim de ano!

Hoje comprei uns presentinhos pras minhas sobrinhas e ontem um celular novo pro Patrick e juro que se a Marie facilitar vai ganhar dinheiro e pronto! Não compro mais nada pra ninguém!

Pensar em ceia de natal, de reveillon. Pensar em roupa pro natal e pro reveillon! Argh! A ceia sou eu que faço ai já viu né? Mais trampo pro "marmitão" aqui! Roupa? Eu não caibo dentro de nada que tenho e não quero comprar nada novo!

Senhor porque os humanos complicam tanto a vida? Não podia ser uma coisinha bem simplesinha só pra comemorar o aniversário de Jesus que era um cara tão simples?

Cansada

Muito cansada! Mas muito mesmo! Acho que todos os dias de tensão; dormir no hospital; correr pra cima e pra baixo atrás de médicos me deixou num estado de exaustão que vai demorar um pouco pra passar.

Mamãe está um pouquinho melhor todos os dias mas ela é de uma teimosia que deixa a gente irritado e cansado. Ela TEM que se exercitar um pouquinho todo dia. Tem que passar a maior parte do dia sentada e não deitada e não há meio. Ela sai da cama e deita no sofá da sala. Ou seja, passa a noite na cama e a manhã deitada no sofá. Ai levanta pra almoçar e volta a deitar no sofá. Com muita insistência depois das 3 da tarde até a novela das 6 ela fica sentada mas depois da novela ela janta e deita de novo no sofá pra ir as 9 ou 10 da noite pra cama.

A gente pede; insiste; implora e ela faz beicinho! É fogo! Mas o pior mesmo é que como ela deita sempre acaba dormindo um pouco e de noite me dá um baile. Ela quer ir ao banheiro a uma da manhã, depois que água, depois quer que mude o travesseiro. Ai ela passa por um sono e as 5 e meia começa tudo de novo. As 6 e meia eu tenho que levantar pra trabalhar e ai ela pega no sono.

Hoje eu falei pra ela que se ela não se disciplinar e me deixar dormir eu vou pedir pra enfermeira vir passar a noite e vou dormir na chácara. Não estou aguentando.

 

Meus amores
Montanha-russa

Sempre tive horror a esse brinquedo! Não tenho o menor senso de aventura e não acho graça alguma em sentir medo.

Minha vida ultimamente está igual a um interminável passeio na montanha-russa! Nunca sei o que vou encontrar na próxima curva! nunca sei se vou despencar de uma altura vertiginosa com o estomago encostando na boca ou se vou ter um minuto de tranquilidade enquanto o carrinho sobe.

Os únicos dias em que encostei a cabeça no travesseiro e dormi o sono dos justos foram aqueles em que minha mãe estava na UTI porque ali, eu sabia, tudo seria feito pra que ela não sentisse dor nem piorasse.

No quarto do hospital ou aqui em casa cada suspiro que ela dá eu acordo! Cada gemido dela é motivo de panico!

Ontem ela estava ótima! Hoje está largada na cama com dor de cabeça e muito provavelmente a pressão alta. Tomou os remédios da manhã e a dor não cedeu. Chamei o serviço de "Home Care" mas eles ainda não chegaram. Ela não cosnegue levantar da cama pra nada e eu me sinto impotente, amarrada.

As vezes parece que tudo isso não vai acabar nunca mais! E pensar na Lica com os pais doentes há 10 anos... 10 anos que a mãe dela sofre de Alzheimer, o pai de Parkinson e cancer de intestino. 10 anos de corridas pra hospitais, de cirurgias, enfermeiros 24 hs por dia.

O que a salva é que ela mora no mesmo prédio dos pais mas não com eles! Tem horas que ela tem que fugir pro apê dela e desligar de tudo senão, como ela mesma diz, vai perder o restinho de sanidade.

A vida é algo tão magnífico e tão frágil. Nunca valorizamos o que temos até que nos vemos diante da realidade do sofrimento, da dor física e espiritual e do medo da perda.

A morte não me assusta. Vou colocar melhor: a minha morte ou a morte da minha mãe não me assusta! Acho que é a ordem natural das coisas e um dia, fatalmente, terei que enfrentar uma e outra. A morte dos meus filhos me apavora! Não posso pensar nisso! Vi de perto o horror do sofrimento da minha amiga E. que há exato um ano perdeu o filho depois de um acidente de automóvel.

Admiro a força com que ela sobreviveu esse ano! E peço a Deus que me poupe dessa terrível experiência. Já me disseram que não devemos pedir isso a Deus mas...se não pedir a ele pedirei a quem?

Boa leitura

Quando conheci o blog dela as coisas já estavam meio complicadas na minha vida. Não o aspecto de saúde mas o problema com a ação trabalhista movida contra mim. Adicionei-o aos meus "favoritos" mas reconheço que não voltei lá com a frequência que deveria.

Ela deixou um comentário no post de ontem e fui até seu blog agradecer e achei esse texto tão verdadeiro e que me fala tanto ao coração que poderia ser escrito por mim. Ainda que eu ache que nunca teria tanta capacidade em colocar os sentimentos de forma tão clara e coerente.

Antiquada

 

Gosto muito de dançar e evoluir pelo salão, com um parceiro em perfeita sintonia. Sentir o vestido colando nas pernas, o solado de couro do sapato de salto deslizando suave pelo chão encerado, o corpo ir sozinho no ritmo da musica. Como uma vertigem, um sopro no coração. Confesso que a minha alma é de outros tempos, vai sempre em busca dos gestos simples, como dançar e trocar carinhos reservados.

 

Já dancei muito, agora bem menos. A mente de uma mulher mais vivida é afiada como uma faca de corte, mas o corpo não colabora mais com tanta facilidade. Levo isso tudo na boa, sem dramas. É um outro momento da vida, igualmente importante. Já passei por tantas coisas, boas e difíceis, que não preciso provar mais nada, nem pra mim mesma. Cheguei num patamar pessoal que hoje me dou o direito de ser quem eu sou. Na hora que preciso ser.

 

Não estou preocupada em parecer inteligente, nem articulada, ou uma mulher sofisticada e jovem.  Também não estou nem um pouco a fim de me mostrar equilibrada, sorridente e feliz. Principalmente em parecer sempre feliz. Digo com todas as letras: nesse momento não estou feliz. As coisas que estão acontecendo por ai não me agradam, principalmente esse excesso de artificialismo que a televisão nos empurra todos os dias, sem pedir licença.

 

Acho que meus sentimentos são fora de moda. Gostaria que as pessoas fossem mais gentis umas com as outras e que o mundo fosse menos bruto, duro e raivoso. Digo isso sempre que posso. Não vivo num mundo de sonhos, não. É que não me importo de ser diferente, de bater sempre na mesma tecla, de ser a idealista pra quem as coisas podiam ser melhores se todo mundo se esforçasse um pouquinho mais.

 

Sou antiquada e estou triste. E daí? Às vezes minha alma tem feridas grandes e profundas e quero ter o direito de mostrá-las se esse for o meu desejo. Como diz Paulinho da Viola, eu sou assim. Quem quiser gostar de mim, sou assim.

A luz no fim do túnel
Finalmente estamos todos em casa!
Mamãe teve alta hoje pela manhã e passou muito bem o dia.
Está comendo de tudo e aparenta boa disposição.
A pressão arterial ainda está um pouco alta mas a cadiologista esteve aqui em casa hoje e disse que não devemos nos preocupar porque vai abaixar a medida que ela for relaxando e tomando os medicamentos. A perna direita (onde foi feito a angioplastia) está inchada demais mas a cardio tb não demonstrou preocupação com isso.
Tanto a cardio quanto o gastro concordam que ela precisa de uma pausa em ver médicos então não vamos ver ninguém até sexta-feira quando vamos até o consultório da cardio pra verificar se a perna desinchou.
Enfim hoje tivemos um dia quase normal. Eu trabalhei normalmente e ela ficou aos cuidados da enfermeira e da faxineira.
Vamos torcer para que tudo vá cada vez melhor.
Obrigada, milhóes de vezes obrigada a todos pela força, amor, carinho, atenção! Vocês são anjos!
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