Não consigo entender como tanta gente gosta tanto de barulho. Sons em geral! Qualquer sala de espera de qualquer coisa tem que ter uma bendita televisão ligada normalmente num canal bem chinfrim ou então um radio mal sintonizado.
Aqui em casa mesmo as crianças estão permanentemente com o som ligado ou a tv.
Eu preciso de silêncio! Eu amo o silêncio!
Não que não goste de música mas, pra mim tem hora.
Conheço gente que entra no carro e liga o rádio. Nem ligou o carro ainda mas já ligou o rádio. Meu carro nem rádio tem. Viajo quilometros e quilometros sozinha no silêncio numa boa. Claro que gosto de dirigir ouvindo uma musiquinha mas não é imprescindível.
As festas são todas extremamente barulhentas. O som nos cinemas é tão potente que dependendo do filme eu saio com dor de cabeça.
Não sou pessoa de falar baixinho mas detesto gente que berra.
É duro ser neurótica num mundo tão maluco!
Pra muita gente eu passo a impressão de ser "despachada", ousada, aventureira. Pouca gente sabe que por trás da "personagem" existe um ser que sofre de um medo crônico.
Medo do que? vc me pergunta.
Medo de quase tudo. Tenho medo de não conseguir realizar um projeto de forma a que seja bom pra mim e pra todos. Tenho medo de magoar meus filhos. Medo de não conseguir me manter (e lógico mantê-los ainda que cada vez menos eles precisem de mim).
Agora vou dar aulas numa escola "normal" ou seja, não é escola de idiomas. Vou dar aulas da 1ª a 8ª séries e estou me borrando de medo!
Todos os meus "e se..." estão presentes. E se os alunos forem insuportáveis? E se tiver aqueles provocadores? e se eu não der conta de dar 9 aulas por dia? e se...
Claro que é um monte de bobagem porque eu posso morrer amanhã e todos os meus "e se..." e esse sofrimento terão sido absolutamente ridículos!
Claro que na hora vai ser tudo muito diferente (não significa melhor) que todas as minhas expectativas.
Mas...sempre foi assim. Desde de pequena! E eu nunca deixei de fazer as coisas por medo. Fiz sempre apesar dele.
Quando nasci minha mãe tinha 37 anos e meu pai 48 ou seja, eles não eram jovens e eu era tratada como se fosse de cristal. Eles morriam de medo que algo me acontecesse e por conta disso eu não podia fazer o que a maioria das crianças faziam: não podia andar de patins, bicicleta, subir em muro. Mas isso ao invés de me tornar uma criança medrosa me fez uma criança levada.
Bastava eles falarem que não podia que eu ia lá e fazia e, as vezes, me dava mal.
Acabei me tornando um verdadeiro capeta em forma de criança e levava surras monumentais.
Um dia resolvi que a única maneira de acabar com as surras era fugindo de casa. Isso mesmo, eu ia fugir de casa. Eu deveria ter uns 9 anos porque a gente ainda tinha o apartamento da avenida Paulista e meu avô ainda era vivo.
Só que eu era levada mas não era burra e sabia que sem grana eu não ia chegar nem na esquina de casa então eu precisava de dinheiro e bolei um plano pra consegui-lo: fui até a igreja Imaculada Conceição, onde eu fazia o catecismo, e pedi pro padre me dar um monte de santinhos pra eu distribuir pros meus amiguinho.
Feliz o padre me deu um bom pacote.
De posse dos santinhos eu ficava na calçada do prédio com um papel na mão pedindo "donativos" para os "pobres" e as pessoas bondosas davam dinheiro e em troca ganhavam santinhos.
Nossa! Arrecadei uma boa grana com o "golpe".
Só que uns meninos que moravam no prédio e eram mais velhos adoravam me encher e jogar terra no meu cabelo (compriiiiiiiiiidoooooooooo) ou então me amarrar na lixeira e de repente eu achei que ao invés de usar aquela grana pra fugir eu podia usar pra me vingar deles e foi o que eu fiz. A mafiosa aqui contratou os filhos do zelador (dois grandões) pra dar uma surra nos moleques e com o dinheiro que sobrou (yes, ainda sobrou) paguei picolés pra todos os meus amigos do prédio.
Os filhos do zelador exageraram na dose e machucaram os moleques e os pais foram atrás deles que me entregaram. Nem preciso contar que teve romaria de pais na porta do meu apartamento e meu pai veio falar comigo pra tirar tudo a limpo.
Vige! Se antes eu queria fugir de casa agora eu lamentava era não ter fugido.
Acho que por excesso de proteção eu acabei medrosa e por excesso de castigo me tornei "atirada"...rs
O fato é que eu to sempre com medo mas sempre o desafiando!
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