O surto

Patrick embarca pra França hoje. Dia 29/06 as 19hs ele me informa que só naquele momento havia reparado que o passaporte brasileiro estava vencido.

Na cabeça do lindo isso não era problema porque ele sairia do pais com o passaporte frances. Só que isso claro não é possivel porque ele teria que ter um carimbo afirmando que ele havia entrado no pais com o passaporte frances, o que não era verdade.

Depois de eu implorar a ele consegui que fosse ontem, 30/06, as 8 da manhã a sede da policia federal aqui na cidade e logo depois o cara volta com "o rabo entre as pernas": ou ele arrumava um passaporte ontem ou ele não viajava.

A moça da P.F. foi super gentil e disse que quebraria o galho dele e deu a lista de documentos. Advinha se ele não tinha deixado a passagem e o titulo de eleitor em São Bernardo.

9:30 da manhã saimos daqui ele, a irmã (que vai fazer vestibular em SP e ia ficar na casa do tio) e eu voando baixo pra SBC via SP. Deus gosta mesmo muito do Patrick porque inimaginavelmente pra uma sexta feira não tinha transito e as 11 nós já estavamos na casa do meu irmão.

Pouco antes do meio-dia pegamos as coisas no apê em SBC e ai a grande novidade: ele TINHA que fazer a rematricula na faculdade ali, naquela hora. Fomos pra facu, paga faculdade, paga darf, faz a rematricula e saimos voando pra Soro.

No caminho parada pra tirar foto 5x7 datada pro passaporte. Segue a novela e pegamos a estrada.

14 hs estamos na policia federal de Soro. Um monte de gente e a gente esperando. Até ai eu havia conseguido manter a calma (apesar da vontade de dar uma surra nele porque eu havia dito mil vezes pra ele ver o passaporte antes) mas juro que quando a mulher falou que ele podia voltar as 17 hs pra pegar o passaporte eu desabei.

Eu chorei e tinha vontade de gritar, de bater. Ô estresse do inferno pra não dizer do caralho que não é do meu feitio.

Bom, vamos pra casa e eu, nem sei porque resolvi olhar a passagem. Mil vezes antes eu havia perguntado a ele que horas era o voo e a resposta era sempre a mesma: embarque as 22 hs. Olho a passagem e vejo "embarque as 19:10".

Discussão, gritos, ele dizendo que não podia ser. Sim...era e é!

Se ele não tivesse o cu virado pra lua ia ficar sem passaporte. Mas a sorte dele não é só essa: ele também tem um anjo da guarda ferrado que faz a mãe checar o que nem tinha pensado.

O cara tem sorte! Azar tenho eu que estou até agora num estado de nervos...

00:30 e eu vou dormir porque durante o dia volta pra SBC pra pegar o amigo que vai com ele, ida pro aeroporto, assistir o jogo no aeroporto, embarcar o lindo, levar a filha pra casa do irmão e depois eu vou pensar se volto pra Soro ou se durmo em SP.

Juro que se um dia eu reclamar de tédio vocês podem me mandar pra PQP!

Ah...o passado bate a minha porta...rs Só não sei se vale a pena ver esse filme de novo. Talvez tenham feito um remake...com certeza o ator principal está muito mais velho e gordo mas será que as caracteristicas psicologicas mudaram?

Lu, Mi, vocês acham que vale a pena revirar album de figurinha carimbada?????? rs

São Pedro

Eu sei que me repito todos os anos nessa data mas...hoje é meu aniversário de casamento.

Há 21 anos eu entrei na Catedral Ortodoxa de São Paulo, toda enfeitada com camélias brancas e rosas; o coral do maestro Bacarelli cantava a marcha nupcial com direito a trombetas e tudo.

Meu pai, nervoso que só vendo, pisava na barra do meu vestido e mordia o canto da boca, um tique nervoso dele quando a "coisa" ficava preta.

Casei ao meio-dia porque achei lindo a luz do sol batendo contra os vitrais da catedral quando, uns meses antes, fui a um casamento nesse horário.

E também porque casando durante o dia não tinha que fazer nada muito glamuroso, nem chique e depois da cerimonia só oferecemos um almoço pros pais e padrinhos.

Pros pais é modo de falar porque meu pai não foi ao almoço. Ele estava separado da minha mãe e a "esposa" dele naquele momento não concordou que ele fosse. Azar o dele porque foi tudo maravilhoso!

21 anos de casada sendo que há 10 sem o marido. Acho que eu não assimilei a parte em que o padre fale "Até que a morte vos separe" porque nem a morte conseguiu me separar dele.

Era um grande amor? Era sim! É sim! Porque quando a gente ama de verdade o "objeto" do nosso amor não precisa estar presente fisicamente.

Nós dois tinhamos um "genio do cão" e brigavamos muito. Dias antes do casamento a gente teve uma briga e eu tirei a aliança de noivado e joguei na sarjeta. Ai ele tirou a dele e também jogou e a gente ficou ali no meio da rua brigando até que começou a chover e nós dois corremos pegar as alianças antes que formasse enxurrada e as levassem embora.

Molhados e ridiculos caimos na risada e recolocamos as alianças.

Nosso casamento era assim: por maior que fosse a crise a gente achava um jeito de rir. Ou pelo menos um fazia uma cagada e o outro começava a rir e dai em diante a crise acabava.

Tivemos brigas que duraram dias. Tivemos dias em que eu poderia esganá-lo com as próprias mãos! Com certeza ele também teve dias em que me faria em pedacinhos.

Mas sobretudo tivemos muita risada, muita cumplicidade, muito carinho e se as vezes faltou respeito, sim porque as vezes a gente fala o que realmente não deve e isso é desrespeito, sobrou amor pra perdoar.

Tivemos dois filhos maravilhosos que são a maior herança, o maior legado que ele poderia ter me deixado.

Eu comecei a amá-lo muito antes do dia 29 de Junho de 1985 e com certeza continuarei a amá-lo por muito tempo ainda. Até que a minha morte talvez me leve a ele. Ou não! Mas isso não importa!

Eu não atiro pedra na cruz...

Acho que todo mundo conhece a expressão : “atirei pedra na cruz”.

Pois bem eu ontem não atirei pedra mas literalmente atropelei uma cruz.

Explico: fomos, Marie e eu, visitar minha amiga Rosangela que foi operada mas já havia voltado pra casa dela. Casa esta que fica em Araçoiaba da Serra mas não no lado, digamos civilizado da cidade e sim na parte, digamos, rural.

Eu não sabia o caminho direito mas cheia de coragem enfiei o coitadinho do Clio velhinho de guerra nas ruas de terra (graças a Deus antes da chuva que caiu hoje).

Estamos ali lindas e perdidas quando no sentido contrário ao que estou vem um caminhão. A rua era estreita e o motorista do caminhão não parecia disposto a encostar um pouquinho pra direita então eu tive que jogar o meu carrinho por cima de umas moitas que estavam a minha direita, quando ouvimos um barulhão e vejo que o espelho retrovisor direito havia caído.

Não o conjunto todo do espelho só ele mesmo.

Minha filha, morrendo de rir, gritou pra eu parar e foi buscar o dito cujo que havia ficado pra trás.

Perdida, parada e sem espelho retrovisor direito liguei pra minha amiga e o filho, coitado sem noção do perigo, começou a me orientar.

Não funcionou. Quando vimos estávamos de novo na rua onde o espelho havia caído e só então eu vi no que o retrovisor havia batido: bem na beira da rua havia uma cruz feita de galhos. Daquelas que marcam o local onde alguém veio a falecer por acidente de carro , sabe?

Mas um cruz assim...bem chinfrim.

O fato é que quando nós vimos onde eu havia batido tivemos uma crise de riso incontrolável.

Depois de passarmos mais umas duas vezes pelo mesmo local, perdidinhas da Silva, consegui achar uma saída e cheguei a casa da minha amiga chorando de tanto rir.

Eu sempre soube que era radical.

Atirar pedra na cruz? Que nada! O negócio é jogar o carro em cima!

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