Detesto gente besta! Destesto status! Detesto gente que “se acha”!
As pessoas pra mim são o que levam por dentro e nunca a roupa que vestem, a griffe; as jóias que possam usar.
Detesto intelectuais que citam infinitamente obras apenas para darem-se o “ar” de cultos.
Detesto não a loja Daslu mas o conceito que ela passa: templo de luxo e sofisticação. Uma loja é uma loja, compra e vende coisas. Ponto!
Detesto VIP. Detesto o conceito de VIP.
Diante dessas minhas afirmações vocês podem imaginar que revistas como Caras, Quem e outras do gênero me parecem risíveis.
Quem pode se levar a sério saindo numa dessas revistas?
Ontem acompanhei minha filha num evento do Senac sobre gastronomia onde estariam presentes os “grandes” chefs do Brasil e Pierre Troisgros, renomado chefe francês.
A idéia da palestra era discutir-se as tendências da gastronomia mundial. Isso diante de um público basicamente jovem. Estudantes do curso de gastronomia do Senac ou aspirantes a isso.
Teria sido ótimo não fosse o ego da maioria dos participantes.
Senhor! O cara é um chef conhecido porque a mídia o fez assim senão ele o seria apenas para os poucos privilegiados que podem pagar a fortuna que eles cobram pra servir...comida!
Ok! Comida de excelente qualidade mas ainda assim... comida!
Comida que pode alcançar o status de obra de arte mas que não vai deixar de ser absorvida pelo organismo, processada e eliminada em forma de fezes.
A maioria dos “grandes chefs” que estavam lá não estavam minimamente preocupados em passar algo da experiência de vida deles aos estudantes.
Estavam jogando confete uns nos outros.
Eles era 7 chefs e um critico de gastronomia...ah...e um mediador medíocre.
Dos 7 chefs dois se destacaram : um pela gentileza, atenção e carinho para com os alunos, tietes assumidos pedindo autógrafos e fotos – Alex Atala. O cara é muito educado, muito agradável.
Outro foi Laurent Suaudeau que foi a pessoa que mais falou sobre as verdades da profissão. Sobre o que é ser um cozinheiro. O que significa “alimentar” pessoas não apenas no físico mas através da simples comida alimentar a alma.
Ele disse algo que me marcou muito que foi mais ou menos isso : “Nossa profissão é fazer uma comida que seja para o magnata e para o operário. Um grande chef não cozinha apenas para os que podem pagar”.
Um senhor que assistia junto com a esposa comentou, muito apropriadamente, que 90% dos presentes a palestra nunca puderam e dificilmente poderão freqüentar os restaurantes dos chefs ali presentes.
A fileira dos “convidados de honra” com lugares reservados era digna da Ilha de Caras. E fazia caras e bocas mostrando o quanto eles “eram” diferentes dos pobres alunos e curiosos ali presente.
Mas o pior estava por vir.
Sai de lá e segui pra casa de uma pessoa onde eu precisava pegar uma encomenda.
Lá fui convidada a jantar e durante o mesmo ouvi todo tipo de conversa que me deixa simplesmente pasma!
O mundo se matando e as jovens discutindo a importância de se ter dois “guarda-roupas”. Um pra escola e outro pra balada.
Descobri que o Ipod tem uma capinha muito fofa que se chama Isocks. Meias para Ipod.
Não sei como vivi até hoje sem essa preciosa informação.
A recepção no Terraço Daslu após a apresentação “VIP” do cirque de Soleil. E assim por diante...
Esgotada ainda tive direito a passar no Shopping Higienópolis onde minha filha queria porque queria me mostrar um vestido que ela quer pra formatura dela.
Minha filha tem sonhos.
Minha filha não é consumista e o vestido de formatura é realmente para uma ocasião especial afinal, ela penou pra chegar até aqui.
Mas me ver cercada de um tipo de gente que olha você da cabeça aos pés pra avaliar se você “tem valor” ? Nossa! Foi demais!
Voltei pra casa me sentindo o ET dos Ets.
Mas disso tudo aprendi a admirar um homem que desconhecia Laurent Suaudeau.
Foi o único que disse da importância de ensinar a cozinhar não apenas aos que querem ser “chefs” mas a todos que amam a culinária e que podem ganhar sua vida através dela.
O único que falou que diante do alimento o cozinheiro deve se portar com humildade porque ele está transformando uma matéria prima que ele não criou.
O único que falou que seria muito pobre alimentar apenas o corpo sem levar em consideração o espírito.
É maravilhoso quando nós Ets encontramos semelhantes que não sabíamos que estavam por aqui.
Ontem eu tive um dia incrível! Sim, no sentido de inacreditável! Surreal! Decididamente eu não sou desse planeta e nem faço idéia do que vim fazer aqui.
Ter filhos é como embarcar num avião sem saber pra onde ele está indo, quando vai pousar (se pousar) e muito menos tendo uma rota definida. Você apenas sabe que vai.
Quando eles nascem a gente se sente perdida. De repente aquele ser que estava dentro de você está do lado de fora e com um monte de necessidades, a maioria delas que só VOCÊ pode suprir. Do dia pra noite a gente deixa de ser a mulher, a esposa, o ser humano (sim porque mãe é sobre humano) pra ser MÃE praticamente 24 horas por dia.
Mas essa fase passa! E é rápido mesmo que pareça uma eternidade.
Depois a criança começa a ser um pouco do mundo. Algumas mães deixam em creches, outras com babás, outras com avós ou alguém de confiança e voltamos ao mundo "real". Real uma ova! Mãe que trabalha não tem paz. Mãe que para de trabalhar pra criar os filhos fica quase maluca. Enfim...até os pimpolhos irem a escola, nem que seja por meio periodo, a gente está sempre sambando. E quando eles vão a escola a gente tem tanta coisa pra fazer nesse período que nem parece que eles foram. Sem contar que a gente leva e vai buscar e corrige lição e verifica o material e encapa caderno...vamos em frente...
Ai chega a adolescência e o samba vira uma verdadeira mistura de ritmos porque você continua Mãe, continua ser humano e tem mais a incumbência de ser psicóloga, melhor amiga, pior amiga, saco de pancada, motorista e assim por diante. A gente nunca sabe com quem vai se deparar pela frente: o filho ou o monstro. Um dia eles nos amam apaixonadamente e no outro nós somos as piores criaturas da face da Terra.
Mas depois os filhos chegam a idade adulta. Jovens adultos, digamos. E eu paro minha viagem por aqui porque é até onde cheguei nesse momento. Não é fácil também. De repente, sem aviso prévio, de ser tudo você passa a ser...pouco. Não digo nada mas, a gente não é mais o provedor, a psicóloga, a melhor amiga, a motorista. As vezes deixamos até de ser o saco de pancadas, mas normalmente esse cargo permance conosco. Temos que encarar nossos filhos como "outros seres humanos" com vontades próprias, com sonhos e desilusões. Estamos face a face conosco antes que nos tornassemos o que somos hoje. É fascinante! E apavorante!
Meus filhos brincam que eu sou Pãe: pai + mãe. Conheço muita mulher nessa situação e alguns homens também.
Ser Pãe é conviver com os dois lados da moeda o tempo todo. A gente procura ter um olhar masculino e feminino ao mesmo tempo.
Mas não importa se sozinha ou com um pai ao lado ser mãe é uma senhora aventura. Mães tem o terrivel defeito de querer sempre acertar. E é duro admitir que as vezes a gente erra. Erra até na dose de amor! Ou melhor, erra na dose da demonstração do amor.
Outro dia numa árvore na pracinha aqui perto tinha um papagaio que devia ter fugido de alguma casa. O bicho gritava "Mãeeeeeee"...e depois "Mamãeeeee". O dia inteiro ele ficou indo de uma árvore a outra gritando "Mãe". Um senhor tentou pegá-lo mas que nada...ele não vinha. Não sei pra onde ele foi porque voltei pra casa mas fiquei com a certeza de que na hora que a "coisa pega" até os bichos chamam pela Mãe.
É! Ser mãe não é fácil! Ser filho também não!
|
||||
![]() | ||||
![]() | ||||
![]() | ||||
|
||||