O ano em que desistimos Parte I
Minha querida amiga Maria Carmen me enviou por email.
Vale a pena ler sem deixar de observar a idade do escritor. Um cidadão de 29
anos já sem esperança no Brasil.
bita
O ano em que desistimos
"O que beira as raias do chocante é que a sociedade brasileira tenha aquiescido e aquietado-se. Que tenha aceitado mansamente escândalo depois de escândalo."
O mais surpreendente destes doze meses em que começamos a chamar parlamentares de "mensaleiros" não é que uma fatia aparentemente
expressiva de nossos deputados recebesse uma mesada para votar com o governo.
Nem que os deputados achassem que podiam se inocentar desse crime através da confissão de outro (caixa dois). Nem que eles
efetivamente tenham sido inocentados.
Nem que um deles tenha conjurado para sua absolvição uma trama. Certamente demasiado rocambolesca para ser aceita no mais mexicano dos folhetins: a esposa foi ao banco pagar a conta da TV a cabo e
saiu de lá com 50 mil reais. (Nota minha: era "somente" o Presidente da Camara dos Deputados, João Paulo Cunha)
Nem que o escárnio tenha chegado a tal ponto que uma congressista tenha se sentido suficientemente à vontade no ambiente prostibular que se tornou o belo prédio de Niemeyer para desfilar seus desajeitados passes do funk da sem-vergonhice.
Nem que recursos de empresas estatais fossem uma fonte do numerário usado para alimentar os mensaleiros, configurando um novo e
tenebroso nível de estelionato no país, em que os recursos do Estado são utilizados para irrigar um partido a chegar e manter-se no poder, solapando a isonomia que é a essência do regime democrático.
Nem que o marqueteiro do presidente tenha reconhecido, aos prantos, que recebeu dinheiro no exterior -uma única vez!- para realizar a campanha política de petistas. Nem que depois tenhamos descoberto que aquela não havia sido a única.
Nem que, do "núcleo duro" do governo, um membro tenha sido cassado e indiciado por suspeitas de chefiar a máfia, outro tenha sido
forçado a pedir demissão e tenha também sido indiciado por abiscoitar propinas em seus tempos de prefeito e o terceiro tenha abandonado seu
ministério por negócios escusos com um familiar.
Nem que um ministro da Fazenda tenha entrado em conluio com o presidente do segundo maior banco público do país para violar o direito à privacidade de um caseiro e divulgar seu sigilo bancário à imprensa.
Nem que o procurador-geral da República tenha oferecido denúncia contra 40 das mais altas cabeças da República por formação de
quadrilha e tenha chamado o partido ora no poder de sofisticada organização criminosa".
Nem que dinheiro público tenha aparecido numa cueca em um detector de metais de um aeroporto.
Nem mesmo que o nosso presidente -aquele que nomeou e chefiou toda a gangue e que tem ao seu dispor todo o aparato de informação ei nteligência das forças de investigação civis e militares consiga se manter no cargo única e exclusivamente por alegar desconhecimento de tudo e todos que estavam à sua volta e que foi traído. (Em outros países, desconhecimento, autismo e ingenuidade desqualificam a pessoa para o exercício da Presidência. No Brasil, tornam-na favorita para a reeleição.)
Não. Tudo isso é grotesco, é revoltante, é pusilânime, é roto e vergonhoso.
Mas não chega a ser surpreendente porque, infelizmente, a única coisa que nos surpreende em nossos homens públicos é a correção, a
ética, a honestidade.
O ano em que desistimos Parte II
O que é verdadeiramente surpreendente, o que beira as raias do chocante é que, envolta e soterrada por essa avalanche de esterco, enganada e vilipendiada por seus representantes eleitos e sabendo que os contos da carochinha contados por eles em sua defesa não passavam de empulhação da grossa, a sociedade brasileira tenha aquiescido e aquietado-se. Que tenha aceitado mansamente escândalo depois de escândalo.
Que tenha relevado aquilo que povos sadios teriam visto como acinte. Que num país de 180 milhões de almas penadas não tenha havido um partido, um sindicato, um grêmio estudantil, uma ONG ou uma roda de bocha sequer com a disposição de ir às ruas, de convocar uma passeata, de jogar um mísero tomate ou dar um grito solitário contra essa patifaria que nos confisca a nação.
Com o silêncio, tornamo-nos cúmplices. Por que essa inação? Será que as duas décadas de miasma econômico nos deixaram suscetíveis a acreditar que um crescimento econômico que só superou o haitiano é realmente uma boa performance? Nos vendemos por tão pouco? Ou será que a fadiga com o sistema político chegou ao ponto da total indiferença? Será que depois de apostarmos na redemocratização, no presidente-carateca, no presidente-sociólogo e no presidente-operário e vermos nossas expectativas
cada vez mais frustradas finalmente abandonamos o barco?
Não sei. O certo é que esses últimos doze meses, esses sombrios e desalentadores doze meses marcam a nossa desistência. Lavamos as mãos.
Daqui pra frente nossa democracia será como aqueles casamentos em que os cônjuges mal disfarçam sua infidelidade. Permanecem casados por um misto de conveniência e obrigação, mas ambos sabem que nenhuma das partes pode ser confiada, nem tampouco que cabe qualquer indignação frente aos abusos e omissões do outro. Os eleitos nos enganam e os eleitores tentamos burlar leis, sonegar taxas e tratar a urna como penico, e ficamos acertados que ninguém denunciará as impropriedades do outro.
Estamos num grande e árido deserto, sem ninguém que possa nos conduzir pelo mar vermelho-lama que cada vez ocupa mais espaços. Talvez um dia nosso povo chegue à Terra Prometida, mas não será nesta geração.
GUSTAVO IOSCHPE , 29, mestre em desenvolvimento econômico pela
Universidade Yale (Estados Unidos), é autor de "A Ignorância Custa um
Mundo - O Valor da Educação no Desenvolvimento do Brasil" (Editora Francis,
2004)
e "Vestibular Não é o Bicho" (Editora Artes e Ofícios, 1996). Foi
colaborador da Folha nos cadernos Fovest (1996-1997) e Folhateen
(1997-2000).
Fonte:
Ou chorar...
O hospital Samaritano de Sorocaba, o segundo que tive que ir hoje, perdeu, sim senhores perdeu, os exames de sangue e urina da minha filha.
Isso porque eles recusaram os exames que haviam sido feitos pela manhã no Incor.
Detalhe: no Incor eu fiquei das 6 as 10 da manhã esperando minha filha poder fazer uma ultrasonografia do abdomen e só as 10, depois de ter interpelado enfermeiras diversas, médico plantonista e finalmente as recepcionistas, soubemos que estavamos esperando por alguém que não viria porque o médico responsável pelo ultra-som estava fora da cidade.
Das 6 as 10 minha filha fez exames de sangue e urina, viu dois médicos diferentes que aparentemente não conversaram entre si na troca de plantão; uma enfermeira com cara de "não entendi" e tomou uns dois litros de soro glicosado com buscopan mesmo estando com suspeita de apendicite (pra quem não sabe o buscopan pode mascarar os sintomas e levar o caso até o apendice suporar).
Isso porque eu tenho o plano Saúde Bradesco que além de ser considerado um dos melhores do país é também carissimo e eu tenho que vender a alma ao diabo todo mes pra conseguir pagar.
Até quando vamos viver assim?
Melhor rir
Ô, raça
Bicho ruim não respeita nem os mortos. Crocodilos de toda a Austrália marcaram para o próximo fim de semana uma festa em homenagem à arraia que ferroou o coração do “caçador” Steve Irwin
Daqui ó
Pobre é foda mesmo...
basta a gente ficar sonhando com o feriado pra descansar e dá tudo errado: é o encanamento que dá problema e inunda o banheiro e a filha que fica doente, ainda não se sabe com o que, e hoje eu passei o dia, desde as 6 horas da manhã, passseando por hospitais. Uma beleza!
Isso porque o nosso caro presidente diz, pra todo mundo ouvir, que o sistema de saúde no Brasil está quase perfeito.
Com plano de saúde particular enfrentei coisas dignas do SUS. Ou melhor, a gente paga esse monte de imposto e ainda paga plano de saúde privado porque o SUS não tem condições de atender a todos de forma descente.
Juro que se o Lula e a turma dele passassem perto de mim hoje eu era capaz de cospir nele!
Porque será que as forças divinas não entendem quando eu digo que "PRECISO GANHAR NA MEGA SENA", ?
Brrrrrrrr
Gente que frio mais fora de hora é esse?
Detesto frio! Detesto!
Fico encolhida e acabo com dor no corpo. Não tem roupa suficiente pra aquecer e os pés são pedras de gelo.
Quero meu calor de volta!
Por falar na Gená...
roubei dela 
O Geraldo Alckmin tem blog!!!!!
A minha querida Gená me indicou um site que virou outro vicio: http://www.oceangram.com/
Adoro ver as bobagens que mandam pelas garrafas lançadas ao mar...claro que escrevi as minhas tb!
Rádio sob medida
http://www.pandora.com vc se cadastra ( o único problema é que precisa ter um zip code americano) e monta a sua estação de rádio com músicas que vc gosta e sugestões do mesmo estilo dada por eles. Eu simplesmente amei esse site. Não consigo mais viver sem...rs
Do Bem
Querida Cé ou Gija ou Gi, Não importe como eu lhe chame vc definitivamente mora no meu coração.
Adorei ter ido a sua casa. Adorei termos conversado e tomado lanche juntas. Você nem pode imaginar o ar puro que trouxe pra dentro do meu peito num dia onde eu havia respirado, na maior parte do tempo, um ar fétido de coisas em deterioração.
Tivesse ido só a sua casa e poderia dizer que foi um sábado como não havia tido há anos.
Mas...parece que na vida da gente sempre tem que haver um mas, lá fui eu cumprir meu dever de ser humano. As vezes eu penso que as pessoas a minha voltam me acham sobre-humana porque as solicitações são dignas de super-homem.
Passar a tarde inteira fazendo inventário das coisas da tia viva, que está ótima de saúde não é exatamente uma delícia.
Depois falar do funeral de alguém vivo, escolher a roupa com a qual ela quer ser enterrada...muita morbidez.
Por fim a tia começou a lembrar de todos os episódios da minha vida que eu lutei pra esquecer. Todas as brigas horríveis com meu pai. Saí de lá chacoalhada. Um caco!
A caminho da sua casa passei na frente da capela do Colégio São Luís e uma noiva estava saindo de um carro muito chique e se arrumando pra entrar na igreja. O transito todo parado me permitiu ver alguns convidados chegando, a noiva sorridente, o buquê que tremia um pouco nas mãos dela e não pude deixar de lembrar do meu casamento. De todos os planos que havíamos feito. Do que eu achava que ia ser a minha vida aos 48/50 anos e tudo saiu tão diferente do previsto.
Caí num choro sentido! De repente, ali parada no meio do transito, depois de ter tido uma tarde horrível, minha vida pareceu algo tão sem sentido, tão inóspito.
O transito estava muito ruim e tive muito tempo pra chorar bastante e me recompor e chegar a sua casa com uma cara minimamente descente.
Obrigada minha querida amiga por existir! Obrigada por me receber! Obrigada pela sua voz doce, sua aparencia tranquila. Obrigada por ser tão bonita, ter uma pele tão linda!
Obrigada por me mostrar que mesmo com um lado feio existe um lado muito bonito e bom na minha vida! Amigos, filhos, mãe, cachorro e a minha vida...que é minha e que eu decido pra onde vou!